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Aconteceu em Janeiro: O alívio das chuvas de janeiro para a recuperação do SIN

Depois de passarmos por um ano de 2021 conturbado, e até mesmo corrermos riscos de desabastecimento energético em algumas regiões do país, o ano de 2022 iniciou em meio às grandes chuvas no mês de janeiro, que ajudaram a recuperar o fôlego do Sistema Interligado Nacional (SIN).

No gráfico de Energia Natural Afluente (ENA) abaixo, que representa o potencial de geração hídrica baseado nas chuvas, comparamos as ENAs diárias de janeiro com o mesmo período dos anos anteriores para a região Sudeste/Centro-Oeste do SIN.

Nele podemos observar que a curva de 2022 esteve acima da curva de 2021 em praticamente todo o período, apresentando um pico de chuvas durante a segunda semana de janeiro e ultrapassando o dobro do observado anteriormente durante alguns dias.

O bom desempenho da ENA durante o mês refletiu positivamente nos níveis de reservatório da região Sudeste/Centro-Oeste.

Veja abaixo o comparativo da performance dos níveis de reservatórios nos últimos dois anos.

Nele observa-se que além de iniciar o ano em um patamar mais elevado que em anos anteriores, o reservatório SE/CO apresentou uma recuperação extremamente acentuada, elevando os níveis dos reservatórios em cerca de 16% durante o mês.

Fechando em 42% da capacidade máxima, montante superior ao máximo volume observado em 2021, que não ultrapassou a marca de 35%.

Ambos os movimentos de ENA e Reservatório apresentados foram os grandes responsáveis pela retração do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) no mês de janeiro.

Acompanhamento do PLD

Em termos gerais, em janeiro, o PLD horário apresentou baixa volatilidade.

Apenas o dia 25/01 apresentou grande variação nos submercados Sudeste/Centro-Oeste e Sul, atingindo mais de R$300/MWh durante uma hora do dia.

Este fato isolado ocorreu devido a uma redução da geração de fontes renováveis concomitante ao momento de maior demanda do SE/CO, que ocasionou o despacho de algumas das usinas térmicas mais caras do submercado.

Ainda assim, a média mensal nos dois submercados fechou em torno de R$62,90/MWh. Enquanto os submercados Nordeste e Norte fecharam com média mensal de R$57,22/MWh e R$55,71/MWh, respectivamente. 

Essa redução do PLD também ocasionou uma redução no preço da energia para o próximo ano. 

Dada a maior correlação do produto A+1 com o PLD, o ano de 2023 já passa a ser negociado abaixo dos R$200/MWh, enquanto o produto 2024 gira em torno de R$180/MWh. Fator que caracteriza uma das melhores janelas de contratação de energia dos últimos meses. 

Acompanhamento da Carga

Em termos de consumo, o mês de janeiro apresentou uma carga elevada, principalmente nas duas últimas semanas do mês. 

Frente a um bloqueio atmosférico que ocasionou uma forte onda de calor, a última semana do mês chegou a apresentar dias com carga superior a 80 MWm, fator inédito no SIN.

Ainda assim, o mês de janeiro fechou com uma carga mensal de 71,8 GWm, inferior à expectativa do Operador Nacional do Sistema (ONS).

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Esse texto foi produzido por Leonardo Nogueira.

Formando em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de São Carlos, Leonardo ingressou no nosso time em 2020 e hoje atua como analista de mercado na equipe de Monitoramento Estratégico.

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