Qual a diferença entre energia residencial e comercial?

Imagem de dois prédios para ilustrar a diferença entre energia residencial e comercial

Não sabe por que existe diferença de preço entre a energia residencial e comercial? Então você está no lugar certo. Ao longo deste artigo, você conhecerá, em detalhes, tudo relacionado ao tema.

É fato que a energia comercial é mais cara, mas existe uma explicação para isso. Ela está diretamente relacionada aos grupos tarifários e à demanda de energia das unidades consumidoras.

Não ficou claro ainda? Calma! Continue lendo e saiba mais.

Como é feita a distinção entre energia residencial e comercial?

A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) é a responsável por regular as tarifas de energia no Mercado Cativo, também chamado Ambiente de Contratação Regulada (ACR). Nele, existem cobranças diferentes entre a energia residencial e a energia comercial

Isso ocorre por conta das “classes de consumo” estabelecidas pela Resolução Normativa ANEEL n. 414/2010. Segundo informações da ANEEL, elas são:

  • Residencial;
  • Industrial;
  • Comercial;
  • Rural;
  • Poder público.

Cada uma delas tem diversas subclasses, justamente para facilitar a categorização das unidades consumidoras de acordo com suas respectivas finalidades.

Por que a tarifa comercial é muito mais cara que a residencial?

A diferença de preço entre energia residencial e comercial ocorre por conta das modalidades tarifárias, definidas de acordo com o grupo tarifário, como pode observar a seguir: 

  • Grupo A: consumidores de média e alta tensão, no qual estão as indústrias e estabelecimentos comerciais de médio e grande porte, e os sistemas subterrâneos. Sofrem a incidência da tarifa horária azul e tarifa horária verde;
  • Grupo B: consumidores de baixa tensão, sendo eles residências, áreas rurais, iluminação pública e comércios de pequeno porte. Sofrem a incidência da tarifa convencional monômia e tarifa horária branca

Os consumidores do Grupo A pagam pelo consumo e também por uma parcela de demanda de energia contratada, tenha ela sido usada ou não.

Por outro lado, os integrantes do Grupo B são cobrados apenas pelo consumo. Isso significa que arcam somente com o volume de energia que foi utilizado ao longo do mês. Essa é a principal diferença entre a conta de energia residencial e comercial.

A seguir detalharemos cada uma das tarifas mencionadas.

Tarifa horária azul

A tarifa horária azul (ou tarifa horosazonal azul) tem dois valores diferentes de demanda de potência de acordo com o horário ponta e o horário fora ponta. 

De forma simples, horário ponta é o período com alta demanda e consumo (normalmente das 18h às 21h, exceto aos sábados, domingos e feriados) e a cobrança de energia pode triplicar. Por outro lado, o horário fora ponta contempla todas as horas que não se enquadram nesse intervalo.

Aqui explicamos os detalhes sobre as diferenças entre horário ponta e horário fora ponta.

Tarifa horária verde

A tarifa horária verde (ou tarifa horosazonal verde) permite que os valores de consumo sejam ou não diferentes no horário ponta e horário fora ponta, mas a cobrança pela demanda de potência é única e o preço de transporte na ponta é maior. 

Saiba mais sobre as tarifas azul e verde.

Tarifa horária branca

Há também a tarifa horária branca, aplicada aos consumidores do Grupo B. Nela, existem tarifas diferentes de acordo com o dia e horário de utilização. Para economizar, o consumidor pode optar por utilizar mais energia fora dos horários de pico, por exemplo.

Tarifa convencional monômia

O cálculo da tarifa convencional monômia é mais simples, pois considera apenas o consumo de energia, independentemente da demanda de potência ou do horário. Ou seja, os consumidores pagam um valor fixo pelo serviço de distribuição de energia, sem importar a quantidade de energia consumida.

Tarifa convencional binômia

Vale explicar também a tarifa convencional binômia. Essa é a cobrança feita separadamente pelo consumo de energia e pela demanda de potência da unidade consumidora, a despeito dos horários de utilização ao longo do dia. 

Ela incide sobre os consumidores do Grupo A, justamente por eles demandarem mais energia do sistema. Como as tarifas são proporcionais ao consumo e ao uso da capacidade do sistema elétrico, quem usa mais energia paga mais por isso. 

Agora ficou mais claro por que a energia comercial é mais cara? Como as regras de cobrança diferem do Grupo A e para o Grupo B, por consequência o preço final na conta de luz também muda.

Essas regras se aplicam ao Mercado Livre de Energia?

A diferença entre energia residencial e comercial não ocorre no Mercado Livre de Energia. Como explicamos no começo do artigo, as tarifas definidas pela ANEEL são vigentes apenas no Mercado Cativo

Os consumidores livres do Mercado Livre de Energia podem definir o preço, prazo, volume e forma de pagamento da energia diretamente com as empresas geradoras ou comercializadoras.

Isso acontece porque o setor energético no Brasil está segmentado em dois ambientes:

  • Ambiente de Contratação Regulada (ACR): formado por consumidores cativos com têm acesso à energia com tarifas estabelecidas pelo governo e pagam mensalmente pelo serviço de distribuição e de geração de energia;
  • Ambiente de Contratação Livre (ACL): são os consumidores livres que negociam energia no Mercado Livre de Energia e podem encontrar preços melhores do que os normalmente disponíveis no ambiente regulado.

Quer saber mais? Confira nosso e-book completo com todas as informações sobre o Mercado Livre de Energia.

Apesar de as residências ainda não poderem migrar para o Mercado Livre de Energia, os comércios podem considerar fazer esse processo, desde que se enquadrem em pelo menos uma das categorias abaixo:

  • Consumidor Livre: tem uma demanda mínima de 1,5 MW e pode escolher o fornecedor de energia elétrica por meio de livre negociação;
  • Consumidor Especial: tem uma demanda entre 500 kW e 1,5 MW, podendo adquirir energia de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) ou de fontes renováveis como  eólica, biomassa ou solar;
  • Comunhão: caso a empresa não tenha demanda suficiente para entrar no Mercado Livre, é possível fazer uma comunhão de cargas com outras unidades consumidoras para atingir o mínimo necessário de 500 kW. Porém, isso apenas é válido para consumidores com o mesmo CNPJ ou localizados em áreas que não são separadas por vias públicas.

A comunhão de cargas é uma alternativa viável para as empresas que desejam fazer parte do Mercado Livre de Energia, mesmo sem ter a demanda mínima necessária para tal. 

Se você ficou interessado, aqui explicamos como funciona a comunhão de cargas.

A boa notícia é que existe uma proposta em análise no Ministério de Minas e Energia para uma futura abertura do Mercado Livre de Energia. O plano de reforma prevê a redução gradual das exigências para atuar no setor. Eventualmente, isso poderá permitir que até mesmo consumidores residenciais migrem para o ACL

Tal medida faz bastante sentido, especialmente considerando que 80% dos consumidores gostariam de poder escolher o fornecedor de energia elétrica, segundo um levantamento da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel).

Entendeu a diferença de preço entre a energia residencial e comercial? Esperamos que sim!

Conte com a Esfera Energia para tirar todas as suas dúvidas a respeito do assunto e considerar a migração para o Mercado Livre de Energia.

Saiba mais sobre a privatização da Sulgás

O governo do estado do Rio Grande do Sul está em processo de privatização da Sulgás, empresa de distribuição de gás canalizado do estado.

A expectativa é que a privatização da Sulgás traga investimentos para o sistema no estado, modernize a infraestrutura do sistema de distribuição e aumente a malha de dutos.

Há um potencial de desenvolvimento de novos negócios na região do porto de Rio Grande e no Vale do Itaqui.

Pela venda de sua participação na concessionária, o governo do RS arrecadou R$ 928 milhões.

Além do avanço no setor da indústria, os recursos desta transação serão usados para a saúde, educação e segurança pública.

Os investimentos na expansão da malha de distribuição devem atender também o abastecimento comercial e urbano nas principais cidades do estado, de acordo com o secretário do Meio Ambiente e Infraestrutura, Luiz Henrique Viana.

A transferência dos ativos de distribuição para a iniciativa privada é parte de um processo mais amplo de organização dos agentes atuantes na cadeira de gás natural que identificam oportunidades no mercado e desenvolvem soluções para atuar tanto no Mercado Cativo quanto no Mercado Livre.

Neste contexto, a Petrobrás, principal atuante na cadeia de óleo e gás no país, assinou um acordo com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) em que se compromete a sair dos ativos de processamento, transporte e distribuição de óleo e gás até dezembro de 2021 e em junho deste ano encerrou sua participação na BR Distribuidora, empresa que atua no mercado de distribuição de combustível e que é sócia de diversas distribuidoras estaduais de gás natural, da qual tinha 41% de participação.

Este processo tem o objetivo de desverticalizar o setor e permitir a entrada de novos agentes neste mercado, fomentando o mercado livre de gás.

Quer saber mais sobre o mercado de gás? Converse com um de nossos especialistas!

COP26 pretende estabelecer critérios para mercado de carbono

Em novembro a Inglaterra sedia a COP26, Conferência de Clima organizada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para discutir as mudanças climáticas decorrentes do aquecimento global e as iniciativas propostas para redução destes impactos.

Na conferência 200 países devem apresentar seus planos para redução da emissão dos gases de efeito estufa até 2030.

Esta iniciativa, proposta no “Acordo de Paris” em 2015, estabelece que os países deverão estabelecer medidas para garantir que o aumento da temperatura média do planeta não exceda 2°C, quando comparado às médias pré-industriais.

Para alcançar estas metas, a iniciativa de regulação do mercado global de crédito de carbono é bastante aguardada pelas empresas e governos.

Mas afinal, o que são créditos de carbono?

A depender do tipo de atividades desenvolvidas pelas empresas ou países, as instituições podem ter perfil de retenção de carbono ou emissão de gases de efeito estufa.

Como o desenvolvimento tecnológico de soluções para neutralizar a emissão de carbono nos processos produtivos, agentes que absorvem mais gases do que emitem podem comercializar crédito de carbono para que agentes que emitem mais possam neutralizar suas emissões, o que forma um mercado de negociação destes ativos.

O Brasil é um dos países com maiores potenciais de venda de crédito de carbono porque tem uma matriz energética renovável e tem retenção de carbono em suas florestas e agronegócio.

O que é necessário para desenvolver este mercado?

Para que este mercado se desenvolva é necessário um acordo que padronize os mecanismos de funcionamento do mercado de carbono e assim garantir que as metodologias de mensuração de retenção e emissão de gases de efeito estufa e a precificação sejam estáveis, confiáveis a longo prazo.

Quer saber mais sobre o mercado de gás? Converse com um de nossos especialistas!